QR ou NFC: qual usar conforme o caso
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As duas tecnologias resolvem a mesma coisa, levar alguém de um objeto físico a um conteúdo digital, e fazem isso de formas bem diferentes. O QR é um desenho que se imprime e se lê com a câmera. O NFC é um chip que se ativa ao aproximar o celular a poucos centímetros.
A escolha não é questão de moda. Depende de três coisas: a que distância a pessoa está, quanto cada unidade pode custar e que celulares o seu público usa.
A diferença que decide quase todos os casos: a distância
O NFC funciona por contato. A pessoa precisa aproximar o celular a menos de quatro centímetros do chip, e em muitos modelos é preciso mirar com uma área específica da parte traseira. Isso significa que o objeto tem que estar ao alcance da mão.
O QR funciona à distância. Um código impresso grande é lido de vários metros, e essa é uma capacidade que o NFC não tem nem pode ter. Um cartaz numa vitrine, na fachada de um imóvel, num palco ou do outro lado de um balcão só se resolve com um código impresso.
Por isso, a primeira pergunta não é qual é melhor e sim onde a pessoa vai estar. Se ela pode tocar o objeto, as duas opções estão disponíveis. Se não pode, a decisão já está tomada.
Custo: grátis contra alguns centavos por unidade
Um QR code é impresso junto com o resto do design. Não acrescenta custo por unidade: colocar um QR em dez mil panfletos custa exatamente o mesmo que colocar em um.
Uma etiqueta NFC é um componente físico que precisa ser comprado e colado. Em quantidades pequenas custa bastante por unidade e, embora caia muito ao comprar aos milhares, nunca chega a zero. Para qualquer coisa impressa em volume, o NFC não compete: ninguém coloca um chip em cada panfleto.
Onde o custo por unidade deixa de importar é em objetos que já são caros ou que se usam muitas vezes: um cartão de visita premium, um crachá reutilizável de evento, uma placa permanente de museu. Ali alguns centavos não mudam nada e o NFC pode se justificar pela experiência.
Compatibilidade: onde o NFC ainda perde
Ler um QR exige uma câmera, e isso absolutamente todo celular tem. A câmera do iPhone e do Android detecta os códigos de forma nativa há anos, sem instalar nada.
O NFC está em praticamente todos os celulares intermediários e avançados, mas há nuances que importam. Em alguns modelos é preciso ter a função ativada. Em aparelhos de entrada ou antigos pode não existir. E mesmo que o hardware seja quase universal hoje, o gesto não é: muita gente não sabe que o celular tem NFC nem onde fica a antena.
Esse último ponto é o mais subestimado pelos projetos que escolhem NFC. Um cartaz com QR code se explica sozinho, porque as pessoas já sabem o que fazer com aquele quadrado. Um cartaz que diz aproxime o celular aqui exige que a pessoa entenda a instrução, saiba que o celular dela consegue e acerte a parte certa do aparelho.
Quando usar cada um, e quando usar os dois
O QR ganha quando há distância, quando o volume é alto, quando o público é amplo ou pouco técnico e quando o suporte é papel: cardápios, panfletos, cartazes, embalagens, notas, vitrines, etiquetas de inventário.
O NFC ganha quando o contato é natural e a experiência importa mais que o custo: um cartão de visita encostado no celular do outro, uma placa na porta de um quarto de hotel, um crachá usado cem vezes, um produto de luxo com autenticação.
E existe uma terceira opção pouco usada e que funciona bem: colocar os dois no mesmo objeto. Um cartão com chip NFC e um QR impresso cobre todo mundo. Quem sabe usar NFC encosta; quem não sabe, escaneia. O QR custa zero para acrescentar, então não há razão para deixá-lo de fora de um objeto que já leva chip.